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O fósforo e a vela



O FÓSFORO E A VELA

Um dia, o fósforo disse para a vela:
- Ei! Vou acender seu pavio.
Assustada, a vela respondeu:
- Ah, nããão! Se você fizer isso, eu acabo sumindo. Fique longe de mim.
O fósforo, já aceso, perguntou:
- Então você prefere continuar assim dura e fria a vida toda? Sem fazer a sua parte, que é iluminar? Eu e você existimos pra isso. Somos luz.
Sem o fogo, a gente não ajuda ninguém. Vive pra sempre, mas para nada.
A vela, ainda meio cismada:
- Mas deve doer... ai, ai...
O fósforo aceso, já na metade, falou:
- Eu sei, não é fácil. Mas se eu não acender seu pavio, terei queimado inutilmente... que tristeza! 
A vela, então, se convenceu:
- Tá bom, tá bom... você tem razão. Bora lá!

Finalmente, a vela foi acesa e iluminou o lugar.
Assim, o trabalho de ambos, do fósforo e da vela, valeu a pena e transformou-se em luz.



Obs.:
Esta é uma fábula, de autor desconhecido.
Uma fábula é uma pequena história na qual os personagens são animais ou coisas humanizadas (como se fossem gente). As fábulas nos fazem refletir sobre o comportamento das pessoas e lições de vida.

Se você precisa inventar uma fábula, damos algumas dicas neste link:


#ofosforoeavela

#fabulas

Imagem de upklyak em Freepik


Jeca, o Tatu

A escritora Ana Maria Machado tem uma porção de lindos livros escritos. Você sabe em que revista infantil ela publicou suas primeiras histórias? Foi na Revista Recreio antiga, que existiu de 1969 a 1980.

Aqui mostramos algumas fotos da história "Jeca, o Tatu", criada por Ana Maria Machado no comecinho da sua carreira. Os desenhos são de Canini. Ela assinou como "Ana Machado", sem Maria.

Resumindo um pouco a história: 

Todo final de tarde, os animais da floresta se reuniam pra conversar, contando novidades, mas o coitado do tatu não tinha nada pra falar porque vivia só debaixo da terra.

Um dia, Jeca, o tatu, estava cavando um túnel e subiu um pouco pra descansar, dar uma respirada. Daí viu um carro na estrada, aberto. O dono estava trocando um pneu furado. Jeca foi lá, entrou numa cesta que estava dentro do carro. Vrummm! O carro partiu pra cidade, levando o Jeca junto. Imagina quanta coisa diferente ele viu lá. Viveu muitas aventuras e voltou cheio de novidades pra contar.

Pesquisando, vimos que esta história virou um livro, ilustrado por Maria Eugênia. Da editora Ática.

Aqui vai o link:

Jeca, o Tatu


Veja algumas páginas de "Jeca, o Tatu", da Revista Recreio antiga.
Desenhos de Renato Canini.








O primeiro livro infantil de Ana Maria Machado foi "Bento que Bento é o Frade", o nome de uma brincadeira. Outro seu, muito famoso e premiado é "História Meio ao Contrário".

Ela também trabalhou como jornalista e professora: deu aulas de Português na França.

Com mais de 100 obras, tem mais de 20 milhões de exemplares vendidos, no Brasil e no mundo, traduzidos para 20 idiomas.

Além de uma porção de prêmios que recebeu, ela foi a primeira pessoa da literatura infantil a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, que presidiu em 2012 e 2013.

Uma coisa bacana que Ana disse numa entrevista foi a seguinte: "Se alguém quer ser um bom escritor precisa escrever todo dia, assim como um bom atleta treina todo dia. Ou um músico ensaia todo dia o seu instrumento." 



Boa Noite, Monstro!



Boa Noite, Monstro!

Era uma vez um monstro que não estava conseguindo dormir. Ele ficava lá na cama, rolando de um lado pro outro, contando carneirinhos e... nada. Pediu pra mãe dele acender o abajur porque estava com medo.

Medo de quê?
Você não imagina...
O monstro tinha medo de menino!
Ele achava que podia ter um menino escondido dentro do armário. Coitado.

Então ele resolveu enfrentar o seu medo. De uma vez só, levantou da cama quase num pulo e foi andando em direção ao armário. Mas, no meio disso tudo, você não vai acreditar...
PUF! Acabou a luz! Escuridão!

Que coisa horrível, hein? O monstro lá no meio do escuro, pertinho do armário. “Hoje não é meu dia. Ou melhor, hoje não é minha noite!”, ele pensou. Só que já estava ali mesmo, e voltar pra cama não seria uma boa.
“Vou abrir este armário e é agora!”, disse.
NHÉÉÉÉCT!

E adivinha só! Tinha MESMO um menino lá dentro.
- AAAAAAHHH! – Gritaram os dois, ao mesmo tempo. E tremiam igualzinho também, parecendo uma tevê com defeito.
- P-posso saber c-c-como v-você veio pa-pa-rar aqui no meu quarto? – perguntou o monstro.

O menino engoliu seco, olhou pros dois lados, respirou fundo e gaguejou:
- É q-que eu... eu t-tenho uma varinha do Harry Potter e... eu, eu tentei fazer uma magia no meu quarto, antes de dormir. Eu queria perder o medo... – fechou os olhos bem apertado e continuou... – medo de... de... mo-mo-monstro! –

A cara do monstro até se iluminou!
- Varinha do Harry Potter? Sério? Eu também tenho uma. Eu também sou fã! – e sorriu.

Daí os dois ficaram um tempão falando sobre todos os livros e filmes de Harry Potter. E dos personagens preferidos e tal.

O Monstro, então, teve uma ideia:
- Já sei! Eu vou usar a MINHA varinha pra te mandar de volta pro seu quarto.

Ele abriu o armário (já não tinha medo), puxou uma gaveta e tirou sua varinha de lá. Depois falou para o menino entrar e ficar quietinho, pra magia dar certo.
Fez um blablabla de monstro que nem sei repetir e PUFT! Lá se foi o garoto.
E um segundo depois voltou a luz. Tudo claro e bem iluminado: as paredes, os carrinhos, os bichos e jogos na prateleira. A cortina de heróis.
O monstro olhou tudo e resolveu apagar a luz. Tudo bem ficar no escuro. Foi direto pra cama, todo corajoso.
Ele fechou os olhos e dormiu rapidinho um sono gostoso como nunca tinha dormido antes.   




O Sumiço da Sereia Iara


O Sumiço da Sereia Iara 
Evelyn Heine


Era um dia bonito na praia.
O mar bem azul e a areia amarelinha de sol.
Mas estava um silêncio só!

Os peixes não ouviam nada e estranhavam:
- Onde está o nosso som? – perguntavam.

O golfinho deu um salto e olhou tudo por cima.
- Onde anda esta menina?

O silêncio até doía.
Era hora da cantoria.


Uma onda, então, fez “chuááá!”.
Mas não saía o dó nem o fá.
Ela não sabia cantar.

Todo mundo com aquela cara...
- Onde anda a Sereia Iara?

- Será que foi pescador? – perguntou o tubarão.
Os peixes saíram de perto.
E a resposta era que não.

Pescador foge da Iara por causa do seu cantar,
que é tão bonito e doce,
que ele nem quer mais voltar.

Então o peixe-elétrico iluminou bem o mar.
E os outros foram que foram... a sereia procurar.

Depois de alguns minutos:
- Aqui, aqui! – gritou o siri.


E lá estava a coitadinha.
Muda, sem ar...
Engasgada com uma tampinha!

O polvo bateu nas costas, com dois ou três dos seus “braços”.
A tampinha voou longe.
E então ganhou mil abraços.

- Quem é que faz isso, gente?
Joga besteira no mar?
- Eu não sei, sinceramente...
Mas é coisa de envergonhar.

Os amigos se juntaram
E fizeram uma limpeza.
Depois a sereia cantou
Tão bonito! Uma beleza!